6.03.2011

A cidade de Filipos

A cidade estava situada num antigo pântano que Filipe II da Macedónia mandara drenar para aí construir, a partir da antiga Krenides, um baluarte contra os trácios ao qual deu o seu nome. Nela se tará dado em 42 a.C. uma grande batalha de Marco António e Augusto contra Bruto e Cássio. Depois da instituição do Império por Augusto, este fez dela uma colónia militar romana bem defendida. Ela situava-se na Via Egnatia, por onde se circulava de Roma para Bizâncio. Os cidadãos tinham o direito à auto-administração, não pagavam o tributo a Roma e eram também cidadãos da Itália, privilégios habituais nas colónias de veteranos do exército imperial, ou seja, gozavam do Ius Italicum. A população autóctone não fora expulsa, continuando a falar o grego apesar de o latim ser o idioma oficial da cidade.
Quando Paulo chegou em 48 d.C., Filipos tinha ainda o estatuto de colónia e era a primeira cidade do distrito da Macedónia (cf. Act 16,12). Existiria uma pequena comunidade judaica, que não teria uma sinagoga e por isso se reunira num local fora da cidade.
A comunidade cristã à qual Paulo escreverá cinco anos depois parece ser constituída principalmente por pagãos convertidos – é o que se infere a partir da citação dos nomes helenístico-romanos de Epafrodito, Evódia, Síntique, Clemente, e das palavras de Paulo em Fl 3,2s; Act 16 corrobora esta ideia, pois apenas refere como convertidos a casa de Lídia (uma abastada comerciante, temente a Deus e não judia) e a casa do carcereiro (funcionário certamente pagão), e como seguidora uma jovem criada, adivinha por sinal.
Devem ter sofrido perseguições provavelmente de pagãos da cidade – talvez os mesmos que levaram a que Paulo fosse preso aí, devido à expulsão de um demónio que possuía a jovem adivinha certamente ligada às superstições romanas (cf. Act 16).


Bibliografia:
· Giuseppe BARBAGLIO, As Cartas de Paulo (II), São Paulo, Edições Loyola, 1991.
· Jerome MURPHY-O’CONNOR, Paulo. Biografia crítica, São Paulo, Edições Loyola, 2000.

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