6.05.2011

A retórica na Carta aos Gálatas

Retórica na Carta aos Gálatas
Exordium 1, 6-11
Paulo foca neste passo da carta a atenção dos seus receptores nas razões e no objectivo do seu discurso. De facto, os Gálatas evangelizados por Paulo – deve-se ter em conta que os gálatas eram bárbaros, pois desconheciam quer o judaísmo, quer a mitologia e filosofia helénica – haviam-se deixado «encantar» por cristãos judaizantes, procurando agora cumprir a Lei judaica. Tendo, também, consequentemente preterido Paulo a estes homens. Os objectivos de Paulo são assim claros, recolocar diante dos Gálatas na centralidade do Evangelho na gratuidade da graça em Cristo, e fazer a sua apologia pessoal, mostrando a sua superioridade aos «apóstolos» vindos do judaísmo que ainda conferiam à Lei uma importância salvífica.
Narratio: 1, 12-2, 14
Paulo realiza aqui a sua apologia pessoal. Conta a sua história aos Gálatas. O seu foque é, a nosso ver em relação a passos das suas cartas em que Paulo fala da sua conversão (2Cor 11, 21 ss) está no esforço de Paulo para mostrar que não é inferior como Apostolo aos apóstolos que conviveram com Jesus, inclusive a Pedro. Dizendo que recebeu Evangelho directamente de Jesus. Paulo vai até ao ponto de explorar o que a seu ver foi uma fraqueza de Pedro e Barnabé na relação destes com os cristãos vindos do judaísmo e da gentilidade.
Propositio: 2, 15-21
Paulo concretiza aqui claramente a tese que defende: a salvação não vem pela Lei judaica, mas sim pela fé em Cristo.
Confirmatio: 3, 1-4, 31
Paulo prova aqui a sua tese. Primeiramente através do pathos, 3, 1-5, em que Paulo coloca a audiência diante do seu comportamento contraditório, pois deixaram o Espírito, por quem receberam a fé, para se entregar à Lei, e portanto a carne. De seguida Paulo inicia a sua dissertação, 3, 6- 4, 7, em que Paulo vai mostrando como a própria Escritura (AT) já apontava para a gratuidade da salvação pela fé. Em 4, 8-20 Paulo apela ao seu próprio carácter e à sua relação com os Gálatas. Em 4, 21-31 Paulo usa Peroratio, com a qual recapitula os seus argumentos, enumeratio (4, 21-25), incita pela indignatio a audiência a olhar a alternativa refutada (4, 26-27), e esforça-se por conquistar pela conquestio a piedade dos seus ouvintes (4, 28-31
Digressio: 3, 19-25
Paulo interrompe aqui o seu discurso, chamando a atenção dos seus receptores no verdadeiro propósito da Lei.
Exhortatio: 5, 1- 6, 10
Perto fim do seu discurso aos Gálatas Paulo procura tocar as suas emoções. Tratando temas como a liberdade cristã, o amor (caridade), os preceitos realmente importantes e que o realmente se deve ter presente para viver.
Post-scriptum epistolar: 6, 11-18
Paulo termina aqui o seu discurso. Deve-se notar que o termina relembrando a centralidade da cruz de Cristo e a sua própria configuração pessoal com ela.

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